O vento assopra com sua quase violência as folhas e tudo mais de leve ou semi-leve que encontra nas calçadas e no asfalto.
O vento chega de repente, de surpresa numa dessas esquinas cheias de gente apressada, de gente não preparada para ele. E ele assusta, ele empurra, ele assopra.
O vento não destoa, ele combina. Se o ambiente não lhe é propício, logo o muda. Se no caminho há obstáculos, não mede esforços para arrasta-los consigo.
O vento não pede licença.
O vento não se despede.
Num primeiro momento, viro de costas – os ciscos incomodam. As pessoas se movem num ritmo que eu copio. Correm. Se desvencilham. Se evitam ao mesmo tempo que ao vento.
Não sou como essas pessoas que copio. Se fosse, não precisaria copia-las.
Leio que “uns amam muito, uns trabalham muito, uns fazem da vida uma obra de arte, + os outros...”. Eu amo. Eu trabalho. Eu faço da minha vida uma obra de arte? E esses outros?
O vento vem e me mostra quem são esses outros... e eu os copio. Copio suas roupas. Copio seus cabelos. Copio seu hábitos, seus hobbies, suas manias. Copio até os medos, os receios, a forma de falar e as palavras. Tento por que tento me igualar a esses outros que o vento vem e me mostra nessa esquina.
O vento é livre e intenso. Ele vem e me mostra como sua presença incomoda esses outros, como os assusta, como eles se defendem dele e fecham os olhos para não se afetarem.
De costas e olhos cerrados vejo as folhas e outras coisas leves e semi-leves serem levadas pelo vento. De costas e olhos cerrados vejo os outros correndo, se desvencilhando, se evitando e evitando ao vento.
De costas e olhos fechados, percebo que o vento não machuca e tampouco me assusta.
Abro os olhos e me viro contra o vento – não contra no papel de oponente, mas sim de quem quer senti-lo passar, sua liberdade, sua leveza intensa. E, tao de repente quanto sua aparentemente violenta chegada nessa esquina, me percebo como já tendo sido alguém que ama muito e que fazia sim da vida uma obra de arte, mas que hoje apenas trabalha muito e copia os Outros.
Ser como os outros é bom, por que se é bem aceito.
Percebo que o Vento, num sentimento de desespero em torno de minha intenção de condicionar-me ao mero papel de cópia dos outros e na compreensão de que somos por essência idênticos, surgiu violentamente nesta esquina com o intuito de fazer-me enxergar o que nos torna semelhantes: somos livres, leves e intensos.
Sou livre, leve e intenso!
Não sou e nem posso ser uma mera cópia dos outros.
A música estimula me reconhecimento interior, e caminhamos juntamente com o vento pelas ruas e calçadas de carros e pessoas que se evitam e se copiam sem atinar que o fazem... pessoas que acordam, comem, trabalham, cagam, amam e dormem envolvendo-se com tudo como se não fossem capazes de elevar as emoções além do que os outros são capazes.
No momento, trabalho muito, mas o amor e a arte fazem parte de minha essência livre, leve e intensa. Quero, posso e ei de elevá-los ao ponto de não mais me assemelhar nem mesmo por um instante aos outros, que amam como cagam.
Os outros devem apenas compor o ambiente... e, daqui pra frente, seremos apenas eu, o vento e, em torno e ao fundo, em formas de vultos, os “outros”.
Gustavo Lacerda
O vento chega de repente, de surpresa numa dessas esquinas cheias de gente apressada, de gente não preparada para ele. E ele assusta, ele empurra, ele assopra.
O vento não destoa, ele combina. Se o ambiente não lhe é propício, logo o muda. Se no caminho há obstáculos, não mede esforços para arrasta-los consigo.
O vento não pede licença.
O vento não se despede.
Num primeiro momento, viro de costas – os ciscos incomodam. As pessoas se movem num ritmo que eu copio. Correm. Se desvencilham. Se evitam ao mesmo tempo que ao vento.
Não sou como essas pessoas que copio. Se fosse, não precisaria copia-las.
Leio que “uns amam muito, uns trabalham muito, uns fazem da vida uma obra de arte, + os outros...”. Eu amo. Eu trabalho. Eu faço da minha vida uma obra de arte? E esses outros?
O vento vem e me mostra quem são esses outros... e eu os copio. Copio suas roupas. Copio seus cabelos. Copio seu hábitos, seus hobbies, suas manias. Copio até os medos, os receios, a forma de falar e as palavras. Tento por que tento me igualar a esses outros que o vento vem e me mostra nessa esquina.
O vento é livre e intenso. Ele vem e me mostra como sua presença incomoda esses outros, como os assusta, como eles se defendem dele e fecham os olhos para não se afetarem.
De costas e olhos cerrados vejo as folhas e outras coisas leves e semi-leves serem levadas pelo vento. De costas e olhos cerrados vejo os outros correndo, se desvencilhando, se evitando e evitando ao vento.
De costas e olhos fechados, percebo que o vento não machuca e tampouco me assusta.
Abro os olhos e me viro contra o vento – não contra no papel de oponente, mas sim de quem quer senti-lo passar, sua liberdade, sua leveza intensa. E, tao de repente quanto sua aparentemente violenta chegada nessa esquina, me percebo como já tendo sido alguém que ama muito e que fazia sim da vida uma obra de arte, mas que hoje apenas trabalha muito e copia os Outros.
Ser como os outros é bom, por que se é bem aceito.
Percebo que o Vento, num sentimento de desespero em torno de minha intenção de condicionar-me ao mero papel de cópia dos outros e na compreensão de que somos por essência idênticos, surgiu violentamente nesta esquina com o intuito de fazer-me enxergar o que nos torna semelhantes: somos livres, leves e intensos.
Sou livre, leve e intenso!
Não sou e nem posso ser uma mera cópia dos outros.
A música estimula me reconhecimento interior, e caminhamos juntamente com o vento pelas ruas e calçadas de carros e pessoas que se evitam e se copiam sem atinar que o fazem... pessoas que acordam, comem, trabalham, cagam, amam e dormem envolvendo-se com tudo como se não fossem capazes de elevar as emoções além do que os outros são capazes.
No momento, trabalho muito, mas o amor e a arte fazem parte de minha essência livre, leve e intensa. Quero, posso e ei de elevá-los ao ponto de não mais me assemelhar nem mesmo por um instante aos outros, que amam como cagam.
Os outros devem apenas compor o ambiente... e, daqui pra frente, seremos apenas eu, o vento e, em torno e ao fundo, em formas de vultos, os “outros”.
Gustavo Lacerda
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