01/12/2008

Incontrolável

Não quero ouvir.
Não quero parar.
Não tenho o que dizer.
Não quero falar.

Quero continuar,
Não me tente fazer parar.
Não quero ter que te machucar.
Nada pode me parar!
Ninguém pode me segurar.

Só posso me satisfazer quando chegar.
Quando eu chegar!
Não quero ninguém.
Posso e vou além.
Não importa o que faça, ficará aquém.

Se caio, me levanto.
Se me desespero, ando.
Mesmo que aos prantos, não cesso.
Eu não vou parar!
Nada pode me fazer parar!

Eu não vou te escutar!
E se o silêncio não partir de ti,
Partirá de mim.
Perfuro meus tímpanos!
Arranco meus olhos, acaso escreva!
Não quero ver.
Não quero saber.
Deixe-me viver!

Se neva em minha sala de estar,
Respiro fundo para absorver,
Pois a neve é libertadora,
Acalenta os desesperados,
Dá força, coragem e ousadia pra continuar.

Eu não vou parar!
Nada vai me parar!
Ninguém pode me conter.

Saia do meu caminho!
Saia já do meu caminho,
Ou eu vou te atropelar!

Eu não vou parar!
Não quero parar.

Não posso parar.

Gustavo Lacerda

5 comentários:

O solitário Jim disse...

feroz!

Thayanna Sena disse...

Eu voltei :D (eu sempre volto, eu adoro as coisas que você escreve!Rs).
Achei o teu blog, assim, bem revolucionário. Me lembrou os meus velhos tempos de luta estudantil.
Gostei do texto forte e decidido, ando precisando disso na minha vida. Mais certeza das coisas e mais luta pelo que quero.

espero que você esteja bem :)
Beijos

Will disse...

São quereres...apenas!

O solitário Jim disse...

Este não foi o ano dos árabes, nem das mesquitas e os mulçumanos. Teve tempo para o todo e tempo para nada. Foi a eleição de um negro, e de um ser humano novo pra uma america unida. Tivemos a natureza mostrando suas garras, afiadas e apocalipticas, tanto aqui no nosso pais como em todo o mundo. Dias de perdas, de pessoas que não resistiram à fúria do sentimento do mundo, e dias de paz e crianças felizes. Não é o tempo de dizer quem é, é o tempo de dizer quem contribui, quem faz, e de lembrar mestres da filosofia, da vida como ela é. O sexo abrupto, do amor escandaloso, das faces desveladas no sopro da ventania que se pôs a falar mais alto do que as palavras de conforto dos homens que não imaginam. Tantos gostos deixaram de existir, tantas mãos não se opuseram em se tocar e amar, mas também o ódio esteve presente nas barbáries que eu sempre falei, nas inconstâncias desmedidas de quem não sabe a que veio. Foi o ano dos feios e suas bem-feitorias malucas, e de seus dizeres boêmios que me valeram mais que trezentos livros. A escura noite prevaleceu, mas como uma luz amparando minha insônia incômoda dos dias que passei só. A escuridão cobriu por muitas vezes a sabedoria de saber a hora de parar, de saber com quem me relacionar e me envolvi nos véus de Maya como uma criança que não sabe que o fogo queima. As tempestades duraram quase uma estação, e eu chorei invernos de lágrimas como tantos outros, pelas imagens que não correspondiam, como pelos sentimentos que não me valiam. A familia mudou, e um homem não é mais o pai, e nem a mulher é mais a mãe, a familia agora tem além de parentesco, sentimento que se sustenta como aço, nesta terra de minérios. Os amigos passaram a não ter nome, desde o dia em que perdemos todas as identidades, mas, os amigos passaram a ser, e isso bastou para que nem tão só nós nos sentissemos. E nesta vida tão marcada, tão fardada ao fracasso, do pó nos fizemos castelos, comportas e janelas escancaradas ao vento, para que todos pudessem entrar, desde ao infimo átomo molecular, até a linda borboleta do jardim ao lado. E não foi fácil perdurar os bons sentimentos, os pensamentos que nos fazem voar sobre os terremotos que a terra há de insitir em nos provar. A música, tão leve, tão moderna ganhou seu encanto nos ouvidos de quem a sentia tão leve, tão familiar, e assim podemos dançar até o momento que a lua se escondeu naquele horizonte tão belo que virou mar. E o dia, os dias foram clarear e raiar o mais belo Sol que ninguém nunca podia imaginar. E de um mundo fez-se o lugar mais fundo, o umbigo do mundo, a vida mais bela, que era verdade pro meu bel prazer! As ternas relações não tinham tempo, e nem nosso segredo era mais intócavel, todos numa só canção para atrair a vida para o âmbito do etéreo, do desfalecer dos sonhos marcados por contrádiçoes. Tem agora um sentido, e se mesmo assim for o não ter sentido, sobrevivemos desde o frio dos alpes, ao calor do magna do centro do planeta. E não nos bastamos na adaptação da vida, nos concretizamos no tempo que não tem razão nenhuma, mas tem toda a força do amor enérgico do mundo.

Ana disse...

imaginei um menino correndo, corajoso. com a mão nos olhos e gritando alto, para o grito ficar mais alto que a voz dos outros. Só não consegui ver em que direção ele estava indo.